Ponto de vista profissional: Conversando sobre o luto com a psicóloga Katia Silveira profissional do Centro PsicoClin

O ano de 2021 traz muitas questões para a discussão social. Enquanto psicoterapeutas, há duas questões que nos fizeram ter um olhar mais atento, uma delas é que há mais de um ano estamos vivendo uma pandemia em que muitas pessoas morreram da forma grave da doença Covid-19 em um curto espaço de tempo, sem poder realizar os rituais de despedida como de costume.

A outra questão é a tragédia da boate Kiss, em que 242 pessoas morreram e pelo menos 636 ficaram feridas, tragédia essa que completou oito anos e dez meses nesse último sábado, (27/11). No próximo dia 1º de dezembro, inicia o júri da cidade de Porto Alegre que irá julgar os quatro réus pelo incêndio da Boate Kiss.

Mortes pela doença Covid-19 e pelo incêndio da boate Kiss, acontecimentos dramáticos que marcaram a experiência de muitas pessoas e impuseram a todas algo em comum: o processo de luto. Pensando nisso, realizamos uma entrevista com a psicóloga Katia Silveira sobre essa temática.

 

Nos defina,  o que é o luto?

O luto é a reação diante da perda de uma pessoa querida e pode ser vivenciado pelo indivíduo por meio da morte, perda de um membro do corpo ou finalização de algum ciclo (finalização de estudos, demissão, mudança repentina…). Ao passar pela experiência do luto pela morte, a pessoa tende a perder o interesse pelas coisas, entrando em um estado de desânimo doloroso e de sofrimento profundo.

 

Como você percebe, de um modo geral, como as pessoas vivenciam o luto?

O vínculo rompido através da morte é sentido de um modo dolorido, cada pessoa reage a este fato de uma forma distinta. Algumas vezes as pessoas tendem a associar a morte a uma ação maldosa, que vem para punir, como um castigo para a pessoa que perdeu o seu ente querido. Porém a morte é a única certeza que acompanha a humanidade.

Culturalmente o luto pode ser vivenciado de diferentes formas, existem emoções, rituais e sentimentos, que podem variar de cultura para cultura dependendo da relação com a morte. Os costumes sociais podem ser diferentes, porém a reação das pessoas é semelhante. Para algumas culturas os funerais são mais importantes do que qualquer cerimônia. O que muda desta relação com a morte são os rituais da cerimônia do funeral, alguns são mais prolongados outros de forma mais reduzida, e a maneira de alguns recomendarem certos fatos e outros proibirem. No presente momento tem mudado ainda mais pelas questões sanitárias impostas pela COVID-19, fato que faz com que muitas pessoas sintam que não se despediram de seu ente querido.

 

Enquanto profissional, você entende que seguir em frente após o luto é possível?

A elaboração do luto vem para dar conta desse sofrimento e ajudar os indivíduos a adaptarem-se a uma nova realidade. Deste modo, destaca-se que um dos critérios importantes para uma elaboração harmoniosa do luto é o tempo que esta exige. Na forma que este é o processo de ressignificação que permite a elaboração do luto, podendo este ser de maneira bem sucedida ou evoluindo para um luto patológico. Pois, é uma vivência de sofrimento, cada pessoa vai reagir a este de uma maneira diferente, é um momento muito difícil e conturbado, em muitos casos de difícil aceitação. Portanto, torna-se necessário uma boa rede de apoio tanto com familiares quanto com profissionais que possam auxiliar nesta condição vivenciada.

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